Boletín 06

  Editorial  
   
     

Há duas décadas, as bibliotecas públicas de Medellín podiam-se contar pelos dedos das mãos, mas com a passagem dos anos a cidade já tem uma biblioteca em cada uma das suas cinco corregedorias e uma em cada 13 das suas 16 comunas. No entanto, este crescimento não se ficou apenas pela abertura de bibliotecas em todo o lado, antes teve como consequência que na cidade acontecessem outras atividades relacionadas com a leitura, a escrita, a gestão social e cultural, os serviços bibliotecários e, mais importante do que tudo, com os cidadãos, que, por diversos motivos, chegam até às bibliotecas públicas ou participam nalgum dos seus programas descentralizados.

A cidadania começou a apropriar-se com mais força das bibliotecas públicas e estas, para além de crescerem em número, cresceram em espaços e programas. Ganharam o apreço da cidade e conseguiram um lugar importante no desenvolvimento social e cultural das comunidades: a sua conquista da cidadania foi possível graças a que nesses espaços havia processos orientados para facilitar o desenvolvimento humano integral das pessoas mediante o livre acesso à informação, promoção da leitura, escrita, oralitura, acesso às TIC e construção de tecido social e de capital cultural.


Sem a participação ativa da cidadania e o compromisso da Secretaria da Cultura Cidadã de Medellín, provavelmente hoje em dia continuaríamos a contar as bibliotecas e os seus utilizadores pelos dedos. Em toda esta história, a cidadania, o Estado e diversas instituições sociais e culturais, públicas e privadas, desempenharam um papel fundamental para posicionar as bibliotecas nas questões públicas da cidade. Graças a esta construção coletiva, Medellín é a primeira cidade da Colômbia com uma política pública de bibliotecas que se materializa num plano estratégico construído por numerosas mãos que apontam para o horizonte de 2020.

Quando um projeto social ou cultural liderado pelo Estado é apoiado por políticas públicas, continuará, sem dúvida, a fortalecer-se no tempo. Isto pode soar um pouco estranho ou difícil de compreender se nos situarmos num contexto de mudança ou mesmo vertiginoso, mas, na realidade, as políticas públicas determinam de alguma forma os horizontes e as diretrizes, os caminhos e, evidentemente, os alicerces, que nesta cidade têm um eixo fundamental: a participação cidadã.

Em Medellín, o Sistema de Bibliotecas Públicas tem mais de 30 anos de história nas comunas e nas corregedorias. Desde então, alguns factos marcaram a sua história:

• 1984. Criação da Rede de Bibliotecas Públicas Escolares.
• 2000.Criação da Secretaria da Cultura Cidadã.
• 2006.Criação do Sistema de Bibliotecas Públicas de Medellín.
• 2012. Criação da Subsecretaria de Bibliotecas, Leitura e Património, dependente da Secretaria da Cultura Cidadã.
• 2015. Aprovação da Política Pública do Sistema de Bibliotecas Públicas e das Unida des de Informação e Gestão do Conhecimento.

Apesar do processo de formulação da política pública para o Sistema de Bibliotecas Públicas de Medellín se ter iniciado antes, em 2015 o trabalho foi mais árduo, já que envolveu de forma mais direta a cidadania e os que trabalhavam nas bibliotecas públicas e comunitárias da cidade.

Com mesas de trabalho, sessões de encontro entre equipas interdisciplinares e o contacto com os cidadãos, a política pública de bibliotecas materializou-se em outubro no Acordo Municipal 023 de 2015, que foi de grande importância pois permitiu formalizar os princípios e as perspetivas do Sistema de Bibliotecas Públicas de Medellín e as suas unidades de informação. Além disso, o Acordo deu uma volta à conceção do serviço com uma perspetiva de direito, bem como à conceção tradicional de biblioteca. Atualmente, pensar em bibliotecas é pensar em laboratórios sociais, num processo de serviço com sentido que produz conhecimentos a partir da experimentação, co-criação e oferta de oportunidades que se sustenta na leitura do território, isto é, ler necessidades e oportunidades para potenciar a participação.

É assim que este documento da cidade expressa os princípios e as perspetivas:

PRINCIPIOS

• Cidadania cultural plena.
• Participação cidadã.
• Liberdade de acesso à informação e ao conhecimento.
• Direito à leitura.
• Liberdade de criação e expressão.
• Corresponsabilidade no desenvolvimento cultural.

PERSPETIVAS

• De direitos.
• Populacional.
• Territorial.
• De governação.

Desta forma, os habitantes de Medellín, os cidadãos comuns e com os livros na mão, e aqueles que gostam do teatro e da música, mas que também se aventuram em semear nas hortas, a experimentar com a tecnologia e a construir memórias, dão força às bibliotecas públicas da cidade para que se mantenham sempre firmes, dinâmicas e num processo de desenvolvimento sistemático.

O documento completo sobre a política pública pode ser consultado neste link da nossa página web: http://bibliotecasmedellin.gov.co/cms/blog/politica-publica-de-bibliotecas/


Subsecretaría de Bibliotecas, Lectura y Patrimonio
Secretaría de Cultura Ciudadana
Alcaldía de Medellín